Quando alguém compra óculos novos, é natural prestar atenção na graduação da receita, na marca das lentes e na armação.
Mas existe uma etapa que costuma passar despercebida e que pode fazer uma enorme diferença no resultado final:
as medidas de montagem.
Entre as principais estão a distância pupilar e a altura de montagem.
Elas ajudam a determinar exatamente onde cada lente deve ser posicionada diante dos olhos.
E isso é fundamental porque uma lente pode estar com o grau correto e, ainda assim, provocar desconforto se estiver montada na posição errada.
O que é distância pupilar?
A distância pupilar, frequentemente chamada de DP, é uma medida relacionada à posição das pupilas.
De maneira simples, ela indica onde os olhos estão posicionados horizontalmente em relação à armação.
Na montagem dos óculos, essa informação ajuda o laboratório a alinhar as regiões ópticas das lentes com a posição real dos olhos.
Essa centralização é importante tanto em lentes de visão simples quanto em multifocais. Em lentes progressivas, ela se torna ainda mais crítica porque diferentes regiões da lente são destinadas à visão de longe, intermediária e de perto.
Existe apenas uma distância pupilar?
Não necessariamente.
Podemos falar em uma DP total, medida entre as duas pupilas, mas também em medidas monoculares.
Na medida monocular, cada olho é medido separadamente em relação ao centro do rosto.
Isso é importante porque nossos rostos não são perfeitamente simétricos.
Imagine:
Olho direito: 31 mm.
Olho esquerdo: 33 mm.
A distância total seria 64 mm.
Mas simplesmente dividir 64 por dois e utilizar 32 mm para cada olho não representaria a posição real das pupilas.
É por isso que medidas monoculares podem oferecer maior precisão, especialmente em lentes mais sofisticadas.
Por que a centralização é tão importante?
Uma lente oftálmica foi calculada para funcionar de determinada forma em relação ao olho.
Quando o usuário olha através de uma região diferente daquela planejada, pode surgir um efeito prismático indesejado.
Na óptica, esse efeito pode ser estimado pela Regra de Prentice: quanto maior a potência da lente e maior a distância entre o ponto correto e o ponto utilizado pelo olho, maior pode ser o prisma induzido.
Isso explica por que um pequeno erro costuma ser mais perceptível em uma lente de grau elevado do que em uma graduação muito baixa.
O que a pessoa pode sentir quando a DP está inadequada?
Dependendo da graduação e da diferença de montagem, podem aparecer sintomas como:
- Cansaço visual;
- Dor de cabeça;
- Sensação de pressão nos olhos;
- Dificuldade para manter o foco;
- Estranheza com os óculos novos;
- Visão desconfortável;
- Necessidade de movimentar a cabeça para encontrar uma região melhor da lente.
Nem todo desconforto significa que a DP está errada.
Mas a centralização é um dos itens que precisam ser conferidos quando a pessoa não consegue se adaptar aos óculos.
E o que é altura de montagem?
Se a distância pupilar indica principalmente o posicionamento horizontal, a altura de montagem ajuda a determinar o posicionamento vertical da lente em relação à pupila e à armação.
Ela normalmente é medida com a armação já ajustada no rosto.
O profissional observa a posição da pupila e registra sua altura em relação à parte inferior do aro.
Em lentes progressivas, essa medida define onde o desenho multifocal deverá ficar dentro da armação.
Por que ela é tão importante nas multifocais?
Porque uma lente multifocal possui diferentes regiões ópticas.
De forma simplificada:
Na parte superior está a região utilizada principalmente para longe.
Descendo pela lente, encontramos o corredor de progressão e a visão intermediária.
Na parte inferior está a região destinada à visão de perto.
A ZEISS destaca que, em progressivas, as zonas de longe, intermediário e perto precisam estar corretamente ajustadas à posição do usuário.
Se a lente ficar muito alta ou muito baixa, o usuário pode ter dificuldade para acessar essas regiões naturalmente.
O que acontece quando a multifocal fica muito alta?
Imagine que o campo de perto foi posicionado mais alto do que deveria.
Ao olhar para frente, a pessoa pode entrar antes do esperado na região intermediária ou próxima.
Alguns usuários descrevem:
- Sensação de visão estranha ao caminhar;
- Dificuldade para enxergar longe;
- Necessidade de baixar o queixo;
- Incômodo ao dirigir.
E se a lente ficar muito baixa?
Nesse caso, o usuário pode precisar levantar excessivamente o queixo ou olhar muito para baixo para encontrar o campo de leitura.
Pode surgir a sensação de que:
“Não encontro o perto.”
“Preciso levantar a cabeça para ler.”
“O computador está embaçado.”
Por isso, a altura não é apenas um detalhe estético.
Ela influencia diretamente a maneira como o usuário acessa o desenho da lente.
A altura depende da armação?
Completamente.
A altura de montagem só faz sentido em relação à armação escolhida e ajustada.
Se a pessoa trocar por outra armação, a medida precisará ser realizada novamente.
Isso acontece porque cada modelo possui:
- Altura diferente;
- Ponte diferente;
- Formato diferente;
- Posição diferente sobre o nariz.
Por isso, não é recomendado utilizar automaticamente as medidas de um óculos antigo para fabricar um novo sem conferir novamente.
A armação precisa ser ajustada antes da medição?
Sim.
Imagine medir uma armação que está escorregando pelo nariz.
Depois da fabricação, alguém ajusta as hastes e o óculos sobe quatro milímetros.
A posição das lentes diante dos olhos mudou.
Por isso, antes da tomada de medidas, a armação deve estar corretamente posicionada.
A ZEISS destaca que parâmetros de centragem devem ser obtidos considerando a posição real da armação no usuário, incluindo medidas como distância pupilar, altura, distância vértice, inclinação e curvatura.
Alguns milímetros realmente fazem diferença?
Podem fazer.
Mas não existe um número mágico válido para todos.
O impacto de um erro depende de:
- Graduação;
- Tipo de lente;
- Desenho;
- Adição;
- Diferença entre os olhos;
- Distância do erro;
- Sensibilidade do usuário.
Em uma graduação muito baixa, um pequeno deslocamento pode passar despercebido.
Em uma lente de -8,00, por exemplo, o mesmo deslocamento pode produzir um efeito óptico muito maior.
É por isso que quanto mais exigente é a lente, maior deve ser a atenção às medidas.
Graus altos exigem mais precisão?
Geralmente, sim.
A Regra de Prentice mostra que o prisma induzido aumenta conforme cresce a potência da lente ou a distância em relação ao centro óptico.
Isso significa que erros de centralização tendem a ser mais críticos em:
- Miopias elevadas;
- Hipermetropias elevadas;
- Astigmatismos importantes;
- Diferenças grandes entre os olhos.
Nesses casos, medidas monoculares precisas ganham ainda mais importância.
A altura também importa em lentes de visão simples?
Pode importar.
Embora seja especialmente conhecida nas multifocais, a posição vertical também pode ser considerada em lentes monofocais mais avançadas ou personalizadas.
Alguns desenhos digitais utilizam o centro de rotação dos olhos, posição da armação e outras medidas para otimizar a lente.
A ZEISS cita distância pupilar, altura de visão, distância vértice, inclinação e curvatura da armação entre os parâmetros considerados em lentes de precisão.
E nas lentes digitais/free-form?
A importância das medidas pode aumentar.
Quanto mais personalizada é a lente, mais informações entram no cálculo.
Uma lente free-form pode considerar:
- DP monocular;
- Altura;
- Distância vértice;
- Ângulo pantoscópico;
- Curvatura facial;
- Dimensões da armação.
Se essas informações estiverem corretas, o desenho pode ser otimizado para a posição real de uso.
Por outro lado, uma lente sofisticada produzida a partir de medidas inadequadas pode não entregar todo o desempenho esperado.
Medição digital é mais precisa?
Equipamentos digitais podem trazer vantagens importantes.
Alguns conseguem fotografar ou mapear o usuário com a armação no rosto e calcular diferentes parâmetros automaticamente.
Isso pode reduzir algumas fontes de erro e permitir medidas que seriam mais difíceis de obter manualmente.
Mas existe um ponto fundamental:
o equipamento não substitui um bom atendimento.
A armação precisa estar ajustada.
A postura do cliente precisa estar natural.
A posição da cabeça precisa ser observada.
E os resultados precisam ser conferidos.
A tecnologia melhora a precisão quando é utilizada corretamente.
Medidas antigas podem ser reaproveitadas?
O ideal é realizar novas medidas.
Mesmo que a DP anatômica da pessoa não mude significativamente, a posição das lentes dentro da armação muda de acordo com o modelo.
A altura certamente muda.
Além disso, uma nova lente pode exigir parâmetros diferentes da anterior.
Por isso, “já tenho minha medida salva” não significa que todas as informações necessárias para qualquer novo óculos estejam resolvidas.
Comprar óculos pela internet pode complicar essa etapa?
Depende do tipo de lente e do processo utilizado.
Para uma lente de visão simples e graduação baixa, alguns sistemas conseguem trabalhar com medidas fornecidas pelo cliente.
Mas multifocais, graus elevados e lentes personalizadas dependem muito mais do posicionamento real da armação.
Nesses casos, medir a armação já ajustada no rosto traz informações importantes para a fabricação.
Como saber se meus óculos foram bem centralizados?
O usuário normalmente não precisa conferir milímetros sozinho.
O que deve observar é a experiência.
Os óculos devem permitir uma visão confortável na posição natural da cabeça.
Em uma multifocal, por exemplo, você não deveria precisar manter uma postura estranha constantemente para encontrar os campos de visão.
Se algo parecer errado, procure a ótica para conferir:
- Ajuste da armação;
- Receita;
- DP;
- Altura;
- Posicionamento das lentes;
- Montagem.
Grau correto é apenas parte do trabalho
Uma receita pode estar perfeita.
A lente pode ser excelente.
A armação pode ser maravilhosa.
Mas tudo precisa estar corretamente alinhado diante dos seus olhos.
É aí que entram as medidas.
Nas Óticas Di Fiori, a escolha das lentes é acompanhada pelas medidas necessárias para cada projeto óptico.
Em lentes multifocais e personalizadas, detalhes de posicionamento ganham atenção especial para que o desenho seja montado de acordo com a maneira como a armação fica no rosto.
Porque em óptica, às vezes, alguns milímetros separam uma lente simplesmente correta de uma experiência realmente confortável.
Precisão também faz parte de enxergar bem.
Fale com um especialista.