Lentes 1.56, 1.60, 1.67 e 1.74: qual a diferença?

Quando você recebe uma receita de óculos e começa a pesquisar lentes, é comum encontrar números como 1.56, 1.60, 1.67 e 1.74.

Mas o que esses números significam?

Eles representam o índice de refração do material da lente.

Na prática, esse índice indica o quanto determinado material consegue desviar a luz. Quanto maior o índice, maior é a capacidade do material de produzir a mesma correção utilizando uma lente potencialmente mais fina.

É por isso que lentes 1.67 e 1.74 costumam aparecer quando falamos de graduações mais elevadas.

Mas existe um ponto importante:

o maior índice nem sempre é automaticamente a melhor lente para você.

A graduação, o formato da armação, as medidas, o tipo de lente e até a rotina precisam ser considerados.

O que é índice de refração?

Toda lente precisa desviar a luz de uma maneira específica para corrigir a visão.

Materiais diferentes conseguem fazer isso com eficiências diferentes.

Um material de índice mais alto consegue gerar determinada potência óptica utilizando curvas mais suaves e, consequentemente, menos espessura em muitas situações.

Fabricantes de materiais ópticos como a Mitsui Chemicals oferecem, por exemplo, materiais de alto índice 1.60, 1.67 e 1.74 justamente para produzir lentes mais finas e leves em graduações maiores. A empresa classifica o 1.60 como uma opção de alto índice bastante versátil, o 1.67 para quem busca reduzir lentes mais espessas e o 1.74 para máxima redução de espessura.

Então quanto maior o número, mais fina fica a lente?

De modo geral, sim, quando comparamos a mesma receita, o mesmo desenho e a mesma armação.

Por exemplo:

Uma lente 1.67 tende a ser mais fina do que uma 1.56 na mesma graduação.

Uma lente 1.74 tende a ser ainda mais fina que uma 1.67.

A Mitsui Chemicals informa que materiais 1.74 podem proporcionar reduções importantes de espessura quando comparados a materiais de índice mais baixo, principalmente em graduações elevadas.

Mas essa comparação só faz sentido quando as demais condições permanecem semelhantes.

Porque a espessura final não depende apenas do índice.

1.56: uma solução bastante utilizada em graduações menores

A lente 1.56 costuma ser uma opção de entrada muito utilizada para correções leves ou moderadas, dependendo da receita e do desenho da lente.

Ela pode oferecer:

  • Boa relação entre custo e benefício;
  • Espessura adequada em graduações menores;
  • Boa variedade de tratamentos;
  • Uso em lentes de visão simples e multifocais, dependendo do fabricante.

Em uma graduação baixa, aumentar o índice pode gerar uma diferença de espessura tão pequena que o cliente praticamente não percebe.

Por isso, não faz sentido pensar que todo mundo precisa começar diretamente em uma lente 1.67 ou 1.74.

1.60: equilíbrio entre espessura e desempenho

O índice 1.60 já entra na categoria dos materiais de alto índice em diversas linhas ópticas.

A Mitsui Chemicals descreve seu material MR-8 1.60 como uma opção que busca equilibrar:

  • Espessura;
  • Peso;
  • Resistência;
  • Qualidade óptica.

O fabricante recomenda esse índice para uma ampla variedade de desenhos e graduações.

Na prática, ele pode ser uma escolha interessante para quem possui uma graduação moderada e quer reduzir a espessura sem necessariamente chegar aos materiais de índice mais elevado.

1.67: quando a graduação começa a pesar na estética

A lente 1.67 é bastante utilizada em graduações mais altas.

Nessas situações, a diferença estética em relação a índices menores pode se tornar mais evidente.

Em miopias mais fortes, por exemplo, as lentes ficam mais grossas nas bordas.

Ao utilizar um índice maior, é possível reduzir essa espessura.

A Mitsui Chemicals recomenda o material 1.67 especialmente para usuários incomodados com lentes de alta potência que ficam grossas ou pesadas.

Esse índice costuma oferecer um bom equilíbrio entre:

  • Redução de espessura;
  • Estética;
  • Peso;
  • Custo;
  • Variedade de tratamentos.

1.74: para quem realmente precisa minimizar a espessura

O índice 1.74 está entre os maiores disponíveis em materiais orgânicos para lentes oftálmicas.

Sua principal vantagem é conseguir produzir lentes mais finas em graduações elevadas.

A Mitsui Chemicals apresenta o 1.74 como uma solução para quem busca a máxima redução possível de espessura dentro dessa família de materiais.

Mas isso não significa que toda pessoa deveria escolher 1.74.

Em uma graduação pequena, a diferença para uma 1.60 ou 1.67 pode ser visualmente muito discreta.

É nas graduações altas que o benefício tende a justificar melhor o investimento.

Existe uma tabela fixa de grau para cada índice?

Não existe uma tabela universal que determine:

“Até 2 graus use 1.56.”

“De 2 a 4 use 1.60.”

“Acima de 4 use 1.67.”

Essas faixas aparecem frequentemente como referências comerciais, mas não devem ser tratadas como regras absolutas.

A decisão correta depende de vários fatores.

Uma graduação de -4,00 em uma armação pequena pode resultar em uma lente relativamente fina.

A mesma graduação em uma armação muito grande pode gerar uma borda bem mais espessa.

Por isso, dois clientes com a mesma receita podem receber recomendações diferentes.

A armação pode fazer tanta diferença quanto o índice

Principalmente na miopia.

Em lentes negativas, a região central é mais fina e as bordas são mais grossas.

Quanto maior a distância entre o centro óptico da lente e a borda da armação, maior tende a ser a espessura periférica.

Por isso, uma armação muito grande pode deixar uma lente significativamente mais grossa.

Em determinados casos, escolher uma armação menor e bem centralizada pode trazer uma melhoria estética tão importante quanto aumentar o índice.

Esse é um dos motivos pelos quais a escolha da armação deve acontecer junto com a análise da receita.

E na hipermetropia?

Nas lentes positivas acontece o contrário.

Elas são mais grossas na região central e mais finas nas bordas.

Quanto maior a graduação positiva, maior pode ser a espessura no centro.

Nesses casos, materiais de maior índice também podem ajudar a reduzir o volume da lente.

Mas novamente entram outros fatores, como diâmetro da lente, desenho asférico, tamanho da armação e posicionamento dos olhos.

Por que duas lentes 1.67 podem ter espessuras diferentes?

Porque índice é apenas uma das variáveis.

Duas lentes 1.67 podem possuir:

  • Desenhos diferentes;
  • Curvas diferentes;
  • Diâmetros diferentes;
  • Tecnologias diferentes;
  • Espessuras mínimas de segurança diferentes;
  • Processos de surfaçagem diferentes.

Uma lente asférica ou digital, por exemplo, pode possuir um perfil diferente de uma lente esférica convencional.

Portanto:

1.67 não é o nome completo de uma lente.

É apenas uma característica do material.

Quanto maior o índice, melhor a qualidade óptica?

Também não necessariamente.

O índice mostra principalmente o poder refrativo do material.

Outros parâmetros influenciam a experiência visual.

Um deles é o chamado valor Abbe, relacionado à dispersão da luz e à possibilidade de perceber aberração cromática em determinadas regiões da lente.

Por isso, a escolha de um material óptico envolve equilíbrio entre:

Espessura.

Peso.

Resistência.

Qualidade óptica.

Graduação.

Desenho da lente.

A própria Mitsui destaca que seus materiais de alto índice são desenvolvidos buscando equilibrar índice de refração, valor Abbe, resistência e peso.

Lente de índice maior sempre pesa menos?

Nem sempre.

Uma lente de índice maior pode utilizar menos volume de material porque fica mais fina.

Isso pode resultar em óculos mais leves.

Entretanto, diferentes materiais possuem densidades diferentes.

Por isso, a espessura e o peso final dependem da combinação entre material, formato, graduação e armação.

Em graduações altas, a redução de volume costuma tornar a diferença mais perceptível.

Antirreflexo é ainda mais importante em lentes de alto índice?

Pode ser bastante recomendável.

Materiais de alto índice tendem a apresentar maior reflexão superficial do que materiais de índices mais baixos.

Um bom tratamento antirreflexo ajuda a diminuir essas reflexões e deixa as lentes visualmente mais transparentes.

Por isso, quando o cliente investe em uma lente 1.67 ou 1.74, também vale analisar a qualidade do tratamento aplicado sobre ela.

Não adianta buscar uma lente extremamente fina e ignorar características importantes para a experiência de uso.

Um índice maior deixa os olhos com aparência mais natural?

Pode ajudar, principalmente em graduações altas.

Quem possui miopia elevada pode perceber que lentes fortes fazem os olhos parecerem menores quando vistos por outra pessoa.

Na hipermetropia elevada, pode acontecer o efeito contrário: os olhos parecem maiores.

Materiais de alto índice permitem lentes mais finas e curvas mais discretas, o que pode ajudar a reduzir parte desse efeito cosmético.

Ainda assim, a graduação continua produzindo magnificação ou minificação.

O índice não elimina completamente esse efeito.

E para lentes multifocais?

Os mesmos princípios de índice continuam existindo.

Uma multifocal pode ser fabricada em diferentes materiais, como 1.56, 1.60, 1.67 ou 1.74, dependendo da linha escolhida e da disponibilidade do fabricante.

Mas, em uma multifocal, existem ainda mais fatores importantes:

  • Adição;
  • Desenho do corredor;
  • Altura da armação;
  • Medidas;
  • Tecnologia de personalização;
  • Rotina visual.

Ou seja, escolher uma multifocal apenas pelo índice seria uma análise incompleta.

Como saber qual índice escolher?

Antes de decidir, considere algumas perguntas:

Qual é a sua graduação?

Você possui muito astigmatismo?

Qual armação pretende utilizar?

Ela é grande ou pequena?

Os olhos estão centralizados na armação?

Você se incomoda com a espessura das lentes atuais?

Busca principalmente estética, peso ou custo-benefício?

A lente será visão simples ou multifocal?

A partir dessas informações, é possível estimar qual índice realmente trará benefício.

O maior índice nem sempre representa o melhor investimento

Imagine uma pessoa com uma graduação pequena escolhendo 1.74 apenas porque ouviu que aquela seria “a melhor lente”.

Ela pode pagar muito mais e perceber pouquíssima diferença no resultado final.

Agora imagine outra pessoa com uma miopia elevada utilizando uma lente 1.56 em uma armação grande.

Nesse caso, aumentar o índice e escolher uma armação mais adequada pode transformar completamente a estética e o conforto dos óculos.

É por isso que a recomendação precisa ser individual.

Não compre somente um número

1.56.

1.60.

1.67.

1.74.

Esses números são importantes.

Mas eles não contam toda a história.

Uma boa lente precisa combinar:

material + graduação + desenho + medidas + armação + tratamentos + rotina.

Nas Óticas Di Fiori, nossa equipe analisa sua receita e a armação escolhida para orientar sobre qual índice realmente faz sentido para o seu caso.

Em vez de simplesmente oferecer a lente de maior índice, a proposta é encontrar o melhor equilíbrio entre espessura, estética, conforto e investimento.

Porque a lente mais cara não necessariamente será a melhor.

A melhor lente é aquela tecnicamente adequada para os seus olhos e para os seus óculos.

Fale com um especialista.