Quem começa a pesquisar lentes multifocais costuma encontrar uma dúvida rapidamente:
“Por que existem multifocais tão diferentes entre si?”
Algumas são chamadas de convencionais. Outras aparecem como digitais, free-form, individualizadas ou personalizadas.
Todas têm o mesmo objetivo básico: permitir visão de longe, intermediária e de perto na mesma lente.
A diferença está em como esse desenho óptico é construído e no quanto ele considera as características individuais de quem vai usar os óculos.
O que é uma multifocal convencional?
A multifocal convencional utiliza um desenho progressivo mais padronizado.
Isso significa que o projeto da lente segue parâmetros previamente definidos para distribuir:
- Visão de longe;
- Corredor intermediário;
- Visão de perto;
- Áreas laterais de distorção.
A receita e algumas medidas básicas são consideradas, mas o desenho costuma ter menos possibilidades de adaptação às características específicas da armação e da posição dos óculos no rosto.
Ela pode funcionar muito bem para muitas pessoas, principalmente quando a graduação é simples e a rotina visual não é tão exigente.
E o que muda em uma multifocal personalizada?
A multifocal personalizada utiliza cálculos mais individualizados.
Dependendo da tecnologia, o desenho pode considerar não apenas a receita e a altura de montagem, mas também informações como:
- Distância pupilar monocular;
- Distância vértice;
- Ângulo pantoscópico;
- Curvatura da armação;
- Tamanho do aro;
- Distância habitual de leitura;
- Posição real dos óculos no rosto;
- Necessidades visuais do usuário.
A ideia é aproximar o cálculo da lente da forma como ela realmente será utilizada.
Isso significa que a personalizada não tem distorção?
Não.
Toda lente progressiva precisa distribuir várias potências em uma única superfície.
Por causa disso, existem regiões laterais com aberrações ópticas inevitáveis.
O que um desenho mais sofisticado consegue fazer é controlar melhor onde essas aberrações ficam e como elas são distribuídas.
Isso pode proporcionar:
- Áreas úteis mais amplas;
- Transições mais suaves;
- Menor percepção de distorção em determinadas regiões;
- Melhor aproveitamento do campo intermediário;
- Adaptação mais natural para alguns usuários.
Mas não existe multifocal completamente sem distorção.
O corredor intermediário muda?
Pode mudar bastante.
Essa é uma das regiões mais importantes das multifocais atuais.
Antigamente, a principal preocupação era enxergar bem de longe e ler de perto.
Hoje, muita gente passa horas olhando para:
Computador.
Notebook.
Painel do carro.
Celular.
Pessoas em uma mesa.
Essas tarefas utilizam distâncias intermediárias diferentes.
Desenhos personalizados podem ser escolhidos ou calculados para oferecer melhor desempenho nessa faixa.
Para quem trabalha muitas horas diante do computador, isso pode ser especialmente relevante.
A armação interfere mais nas personalizadas?
Sim.
Em uma lente convencional, o desenho costuma ser menos dependente de medidas adicionais.
Já em uma personalizada, a forma como a armação fica no rosto pode entrar diretamente no cálculo.
Por isso, parâmetros como:
Distância vértice: distância entre a lente e o olho.
Ângulo pantoscópico: inclinação vertical da armação.
Curvatura facial: quanto a armação acompanha o contorno do rosto.
podem ser considerados.
Quanto mais personalizada for a lente, mais importante se torna medir corretamente esses parâmetros.
Então qualquer armação serve?
Não necessariamente.
Mesmo em lentes personalizadas, a armação precisa oferecer espaço suficiente para o corredor progressivo e permanecer estável no rosto.
Uma armação que escorrega ou muda muito de posição pode comprometer a experiência.
Por isso, a escolha deve considerar:
- Altura do aro;
- Largura;
- Centralização dos olhos;
- Ajuste no nariz;
- Estabilidade das hastes;
- Tipo de desenho multifocal.
Armação e lente precisam ser pensadas juntas.
A personalizada é mais fácil de adaptar?
Para algumas pessoas, sim.
Desenhos mais avançados podem tornar a transição entre longe, intermediário e perto mais natural.
Mas adaptação depende de vários fatores.
Também influenciam:
- Receita correta;
- Medidas precisas;
- Experiência anterior com multifocal;
- Diferença de graduação entre os olhos;
- Adição;
- Rotina;
- Ajuste da armação.
Por isso, não existe garantia de adaptação instantânea.
A vantagem da personalizada é permitir um projeto mais próximo das necessidades individuais.
Quem pode perceber mais diferença?
A diferença tende a ser mais perceptível em pessoas que:
- Trabalham muitas horas no computador;
- Utilizam multifocal o dia inteiro;
- Possuem graduações mais elevadas;
- Têm astigmatismo importante;
- Já tiveram dificuldade com multifocais simples;
- Precisam alternar muito entre longe, intermediário e perto;
- Usam armações com posição de uso específica;
- Buscam campos visuais mais amplos.
Para alguém com uma receita simples e uso ocasional, uma multifocal convencional pode atender muito bem.
Mais cara significa melhor?
Não obrigatoriamente.
Uma lente mais personalizada costuma exigir tecnologia de cálculo, fabricação e medição mais avançadas, o que pode aumentar o custo.
Mas o melhor produto é aquele que faz sentido para a necessidade real.
Não adianta investir na lente mais sofisticada disponível se a pessoa quase não utiliza visão intermediária, por exemplo.
Da mesma forma, economizar em um desenho muito simples pode ser frustrante para alguém que trabalha oito horas por dia em dois monitores.
Qual delas é melhor para computador?
Depende da rotina.
Uma multifocal personalizada pode oferecer melhor campo intermediário que uma opção convencional, dependendo do desenho.
Mas para quem trabalha praticamente o dia inteiro em ambiente interno e utiliza muito computador, uma lente ocupacional pode ser ainda mais adequada.
Ela é desenvolvida especificamente para perto e intermediário.
Por isso, nem sempre a resposta para tudo é uma multifocal mais cara.
É preciso entender o uso.
E para dirigir?
Nesse caso, a visão de longe e a estabilidade periférica ganham importância.
Alguns desenhos progressivos são desenvolvidos priorizando campos mais amplos para longe.
Para quem dirige frequentemente, essa característica pode ser mais relevante do que ter uma área enorme de leitura.
Novamente, a rotina define a melhor escolha.
A personalizada pode considerar cada olho separadamente?
Em tecnologias mais avançadas, sim.
Alguns desenhos realizam otimizações binoculares, considerando como os dois olhos trabalham juntos.
Isso pode ajudar a equilibrar os campos visuais e facilitar a utilização simultânea das lentes.
É mais um exemplo de como duas lentes com a mesma receita podem ter projetos bastante diferentes.
Como saber qual você está comprando?
Não olhe apenas para o termo “digital”.
Pergunte:
- O desenho é convencional ou individualizado?
- Quais medidas são utilizadas?
- A posição da armação entra no cálculo?
- Existe personalização para minha rotina?
- O campo intermediário é prioridade?
- Existe otimização binocular?
- Qual é a diferença prática para a opção anterior?
Essas perguntas ajudam a entender por que duas multifocais podem ter preços tão diferentes.
Personalização exige medidas precisas
Esse é talvez o ponto mais importante.
Uma lente altamente personalizada só funciona como planejado se as informações fornecidas ao cálculo estiverem corretas.
Se a altura estiver errada ou a armação não estiver ajustada, o resultado pode ser prejudicado.
Por isso, tecnologias de medição digital podem ser úteis para registrar parâmetros adicionais e reduzir algumas variações.
Mas equipamento sozinho não resolve tudo.
O profissional precisa ajustar a armação corretamente antes da medição e interpretar os dados.
Convencional ou personalizada: qual escolher?
A resposta depende de quatro fatores principais:
Sua receita.
Sua rotina.
Sua armação.
Seu nível de exigência visual.
Uma multifocal convencional pode ser uma excelente opção quando a necessidade é simples.
Uma personalizada pode trazer vantagens importantes quando existe uma rotina mais complexa ou quando o usuário busca maior refinamento visual.
Não escolha multifocal apenas pelo preço
Duas lentes podem parecer iguais quando estão fora dos óculos.
Mas por dentro, os desenhos podem ser completamente diferentes.
É isso que explica por que algumas pessoas percebem campos maiores, transições mais suaves ou mais conforto em determinadas tecnologias.
Nas Óticas Di Fiori, nossa equipe analisa sua receita, sua rotina e a armação escolhida antes de indicar uma lente multifocal.
Quando a tecnologia permite, também são consideradas medidas adicionais para personalizar o desenho de acordo com a posição real dos óculos no rosto.
Porque multifocal não deveria ser uma lente genérica para quem passou dos 40.
Ela precisa acompanhar a forma como você trabalha, dirige, lê e vive.
Fale com um especialista.