Por que algumas lentes ficam mais grossas que outras?

Duas pessoas podem usar óculos com graus parecidos e, ainda assim, uma delas ter lentes muito mais grossas.

Isso acontece porque a espessura final de uma lente não depende apenas do número da receita.

Ela é resultado de uma combinação entre graduação, tipo de material, formato da armação, tamanho da lente, posição dos olhos e desenho óptico.

Por isso, quando uma lente fica muito espessa, não significa necessariamente que algo foi feito errado.

Na maioria das vezes, existe uma explicação técnica.

O grau é um dos principais fatores

Quanto maior a potência necessária para corrigir a visão, maior tende a ser a diferença de espessura entre o centro e as bordas da lente.

Mas o local onde essa espessura aparece depende do tipo de graduação.

Na miopia

As lentes negativas costumam ser:

mais finas no centro e mais grossas nas bordas.

Quanto maior a miopia, maior pode ser a espessura periférica.

É por isso que pessoas com graus negativos elevados costumam perceber mais volume principalmente nas laterais dos óculos.

Na hipermetropia

Nas lentes positivas acontece o contrário.

Elas tendem a ser:

mais grossas no centro e mais finas nas bordas.

Quanto maior a hipermetropia, maior pode ser a espessura central necessária.

A armação pode mudar completamente o resultado

Esse é um dos pontos que mais surpreendem os clientes.

A mesma receita pode produzir resultados muito diferentes dependendo da armação escolhida.

Imagine uma pessoa com miopia utilizando uma armação pequena e arredondada.

Agora imagine a mesma receita em uma armação grande e larga.

Na armação maior, será necessário utilizar uma área maior da lente antes de realizar o recorte.

Como as lentes negativas ficam progressivamente mais espessas conforme nos afastamos do centro, a borda final tende a ficar mais grossa.

Por isso, em graus altos, escolher uma armação menor pode fazer uma diferença enorme na estética.

A posição dos olhos dentro da armação também importa

Não basta observar apenas o tamanho.

Precisamos considerar onde as pupilas ficam posicionadas dentro da armação.

Se o centro dos olhos estiver muito distante do centro geométrico da lente, será necessário realizar uma maior descentração.

Quanto maior essa distância, maior pode ser o volume necessário em determinadas regiões da lente.

Na prática, duas armações com tamanho parecido podem gerar espessuras diferentes simplesmente porque uma delas posiciona melhor os olhos.

Por isso, um modelo bem centralizado pode ser tecnicamente mais interessante.

O índice de refração interfere na espessura

Aqui entram números como:

1.56

1.60

1.67

1.74

Eles representam o índice de refração do material.

Materiais com índices mais altos conseguem produzir a mesma potência utilizando curvas potencialmente menos acentuadas e menor espessura em muitos casos.

Por isso, uma lente 1.67 tende a ficar mais fina que uma 1.56 quando comparamos a mesma receita, o mesmo desenho e a mesma armação.

A diferença costuma se tornar mais perceptível conforme a graduação aumenta.

Então basta escolher 1.74?

Não.

Em graus baixos, a redução de espessura pode ser pequena demais para justificar o investimento.

Além disso, a espessura final depende de vários outros fatores.

Em alguns casos, mudar a armação gera uma diferença estética maior do que simplesmente aumentar o índice.

Por isso, uma boa recomendação avalia o conjunto.

O astigmatismo também influencia

Sim.

O astigmatismo significa que a lente possui potências diferentes em diferentes meridianos.

Dependendo do valor do cilindro e do eixo da receita, a espessura pode variar ao redor da lente.

Isso explica por que algumas lentes parecem mais grossas em um lado do que em outro.

Esse efeito pode ser mais evidente em graduações com astigmatismo elevado.

O formato da armação interfere?

Também.

Armações muito quadradas ou com cantos amplos podem exigir uma lente maior.

Já modelos menores, arredondados ou que acompanham melhor o posicionamento dos olhos podem ajudar a reduzir a área utilizada.

Em miopias elevadas, por exemplo, uma armação pequena e mais redonda costuma favorecer um resultado mais discreto do que uma armação grande e muito aberta.

Armação de aro fechado, fio de nylon ou três peças faz diferença?

Sim.

Cada tipo de montagem possui exigências diferentes.

Aro fechado

A borda da lente fica parcialmente escondida dentro da armação.

Isso pode ajudar bastante na estética de lentes mais espessas.

Fio de nylon

A lente precisa possuir uma canaleta para que o fio possa sustentá-la.

Por esse motivo, é necessário respeitar uma espessura mínima adequada na borda.

Três peças ou sem aro

A lente recebe furos diretamente para prender hastes e ponte.

Nesse tipo de montagem, resistência e espessura também precisam ser avaliadas com cuidado.

Nem toda graduação combina bem com qualquer tipo de armação.

O material também precisa ser resistente

Reduzir a espessura não pode comprometer a segurança.

Cada material possui características específicas de resistência, densidade e elasticidade.

O fabricante e o laboratório trabalham com espessuras mínimas para que a lente mantenha estabilidade e segurança durante o uso e a montagem.

Por isso, não é correto simplesmente “afinar o máximo possível”.

Existe um limite técnico.

A lente pode ficar grossa mesmo usando material de alto índice?

Pode.

Imagine uma miopia muito elevada em uma armação extremamente grande.

Mesmo utilizando 1.74, ainda haverá uma quantidade significativa de material nas bordas.

O índice reduz a espessura, mas não elimina o efeito da graduação.

É por isso que a escolha da armação continua sendo tão importante.

O desenho asférico pode ajudar?

Sim.

Lentes asféricas utilizam superfícies com curvaturas mais complexas do que as lentes esféricas tradicionais.

Isso pode permitir perfis mais planos e discretos, principalmente em determinadas graduações positivas.

Além da estética, o desenho também busca otimizar o desempenho visual fora do centro da lente.

Mas o benefício depende da graduação, do índice e do desenho específico utilizado pelo fabricante.

E lentes digitais?

Tecnologias de surfaçagem digital permitem criar superfícies mais sofisticadas e personalizadas.

Isso pode melhorar a distribuição das potências e o desempenho óptico.

Em alguns desenhos, também é possível obter uma aparência mais plana ou uma distribuição de espessura mais favorável.

Porém, “digital” não significa automaticamente “mais fina”.

A espessura continua dependendo principalmente da receita, do material e da geometria da armação.

Por que uma lente fica mais grossa que a outra no mesmo óculos?

Isso pode acontecer quando os dois olhos possuem graduações diferentes.

Por exemplo:

Olho direito: -2,00.

Olho esquerdo: -5,00.

Mesmo utilizando o mesmo índice e a mesma armação, a lente de -5,00 tende a apresentar uma borda mais espessa.

O laboratório pode buscar um equilíbrio estético, mas nem sempre é possível deixar as duas exatamente iguais.

É possível prever a espessura antes de fabricar?

Em muitos casos, sim.

Sistemas de cálculo óptico conseguem realizar estimativas considerando:

  • Receita;
  • Índice;
  • Diâmetro da lente;
  • Formato da armação;
  • Distância pupilar;
  • Descentração;
  • Espessura mínima;
  • Desenho escolhido.

Essa simulação ajuda bastante quando o cliente possui uma graduação alta e está em dúvida entre diferentes armações ou materiais.

A armação certa pode economizar dinheiro

Esse é um ponto importante.

Às vezes, o cliente acredita que precisa necessariamente comprar a lente de maior índice disponível.

Mas uma mudança inteligente de armação pode permitir um excelente resultado utilizando um índice intermediário.

Por exemplo:

Armação grande + lente 1.74

pode resultar em uma espessura parecida ou até menos interessante que:

Armação menor + lente 1.67

dependendo da receita e do posicionamento dos olhos.

Por isso, escolher armação e lente separadamente nem sempre é a melhor estratégia.

E a estética dos olhos?

Lentes fortes também podem alterar a aparência de quem está usando os óculos.

Na miopia elevada, os olhos podem parecer menores através das lentes.

Na hipermetropia elevada, podem parecer maiores.

Lentes mais finas e armações bem escolhidas podem ajudar a reduzir parte desse efeito, embora não consigam eliminá-lo completamente.

Como escolher melhor?

Antes de decidir, vale analisar:

Qual é a graduação?

A lente fica mais grossa no centro ou na borda?

Qual índice será utilizado?

A armação é muito grande?

Os olhos ficam centralizados?

O formato favorece a receita?

Existe astigmatismo elevado?

Qual será o tipo de montagem?

A estética é uma prioridade?

Tudo isso influencia o resultado final.

Lentes grossas não são apenas uma questão de grau

Quando alguém diz:

“Meu grau nem é tão alto. Por que minha lente ficou tão grossa?”

a resposta pode estar na armação.

Ou no tamanho.

Ou na descentração.

Ou no material.

Ou no astigmatismo.

Ou na combinação de todos eles.

Nas Óticas Di Fiori, nossa equipe analisa a receita antes de indicar a armação e o material da lente.

Isso permite encontrar um equilíbrio entre estética, conforto, espessura e investimento.

Porque não basta perguntar:

“Qual é o seu grau?”

Também precisamos perguntar:

“Em qual armação essa lente vai ser montada?”

É essa combinação que define o resultado.

Uma lente mais fina começa com uma escolha mais inteligente.

Fale com um especialista.